Eu a encarei.
"Para todos, ou para você?"
Diego bateu com o punho na mesa.
"Pare de se fazer de vítima. Você destruiu esta família."
Abri a pasta.
Abandonar a casa.
Pensão alimentícia mínima. Guarda condicional.
Então, uma cláusula me gelou até os ossos: se o bebê não fosse dele, eu teria que reembolsá-lo por "todas as despesas do casamento".
Eu ri.
Uma risada seca e fraca.
"Despesas com limpeza? Vai me cobrar pelos anos em que lavei suas roupas também?"
Paola desviou o olhar.
Diego rangeu os dentes.
"Assine, Laura." Não piore as coisas.
"Foi constrangedor você ter saído com seu amante em vez de vir comigo a esta consulta."
Eu não assinei.
Naquela noite, dormi com uma cadeira encostada na porta.
Eu nem sabia por quê.
Talvez porque, quando uma mulher é humilhada o suficiente, qualquer som começa a parecer perigoso.
No dia seguinte, fui sozinha ao ultrassom.
Usei um vestido folgado.
Penteei o cabelo.
Passei batom, mesmo com a boca tremendo.
Não por Diego.
Por mim.
Pelo bebê que não tinha feito nada de errado.
A clínica cheirava a álcool, talco e medo.
A Dra. Salinas me cumprimentou gentilmente.
"A senhora estava acompanhada?"