Meu pai não gritou quando decidiu que meu futuro importava menos que o da minha irmã gêmea.
Foi isso que tornou impossível esquecer.
Se ele tivesse gritado, batido com o punho na mesa ou atirado minha carta de aceitação num acesso de raiva que depois pudesse atribuir ao estresse, talvez eu me lembrasse de uma discussão familiar horrível. Mas ele estava calmo. Quase gentil.
Ele falava como falava com clientes e agentes de crédito — firme, lógico, prático — como se estivesse discutindo amostras de azulejos ou parcelas mensais, e não o futuro da garota sentada à sua frente, segurando o envelope da faculdade como se fosse um milagre.
"Estamos pagando por Briarwood", disse ele, olhando primeiro para Amber. "Mensalidade, alojamento, alimentação, tudo." “Minha irmã gêmea deu um suspiro de surpresa e cobriu a boca, embora eu soubesse que uma parte dela já esperava por isso. Minha mãe soltou um som suave e feliz e estendeu a mão para Amber, que já estava radiante com os planos. Cores do dormitório. Fim de semana de integração. Fotos no campus. Moletons da faculdade. Meu pai deu aquele sorriso raro que ele tinha quando o orgulho vinha com facilidade.
Então ele olhou para mim.