Todos os canais locais mostravam a mesma imagem: a foto de Rachel no Detran ao lado dos dizeres MULHER DESAPARECIDA ENCONTRADA APÓS QUINZE ANOS.
Abaixo, uma faixa vermelha rolava na tela: POLÍCIA BUSCA INFORMAÇÕES SOBRE O EX-DETETIVE DANIEL HARPER.
Meu pai ainda batia na porta da frente.
“Elena!” ele gritou. “Abra a porta. Por favor!”
Por favor.
Essa palavra nunca havia feito parte do vocabulário dele na noite em que me expulsou de casa.
Meu filho, Noah, estava paralisado no corredor, de meias, o rosto pálido sob a luz azul da televisão.
Ele tinha quatorze anos, era alto para a idade, com cabelos escuros caindo sobre a testa e meus olhos — exceto quando estava com medo, quando dolorosamente se parecia com outra pessoa.
“Suba”, eu disse a ele.
“Não vou te deixar.”
“Noah.”
Ele hesitou, e então subiu as escadas.
As batidas na porta se tornaram frenéticas, desesperadas.
Rachel cambaleava na varanda, e minha mãe parecia prestes a desmaiar.
Contra todos os meus instintos, destranquei a porta.
Meu pai entrou primeiro, mais velho e mais baixo do que eu me lembrava, mas ainda com a presença de um homem que passou a vida esperando por obediência.
Minha mãe veio logo atrás, tremendo.
Rachel entrou por último.
No instante em que cruzou a soleira, seus olhos se fixaram em Noah.
Noah se virou.
E algo mudou no cômodo.