Meu pai também viu.
Vi o sangue fugir do seu rosto.
Sua boca se abriu, mas nenhum som saiu.
Rachel soltou um suspiro entrecortado.
"Meu Deus."
Noah se virou para mim.
"Mãe... Por que ela está me olhando assim?"
Não consegui responder.
Ainda não.
Meu pai finalmente falou.
"Temos que ir embora. Agora. Todos nós."
Eu ri, um riso claro e vazio.
"Você não pode entrar na minha casa depois de quinze anos e começar a dar ordens."
"Elena, me escute", disse ele. "Daniel sabe onde ela está. Se Rachel estiver viva, então ele sabe. Ele virá aqui."
O nome ecoou pelo cômodo.
Detetive Daniel Harper.
Meus pais tinham dito a todos que ele era o homem com quem eu estava fugindo.
O policial que me "arruinou".
O homem, alegavam, havia desaparecido antes que alguém pudesse interrogá-lo.
A versão deles me retratava como a garota imprudente e ele como o vilão conveniente, mas até essa mentira escondia algo muito pior.
Rachel se aproximou, com a voz fraca e trêmula.
"Você disse a eles que eu estava morta."
Minha mãe caiu em prantos.
"Não", eu disse baixinho. "Eles me disseram que você estava morta."
Rachel me olhou como se eu a tivesse agredido.
"O quê?"
Meu pai passou as mãos pelo rosto.
"Não é hora para isso."
"Não", respondi. "É exatamente a hora."
Os olhos de Rachel se moviam de um lado para o outro.
Ela parecia mais velha do que trinta e três anos, como se os anos perdidos tivessem sido gravados em sua pele, noite após noite.
Ela o abraçou com força, como se ainda estivesse viva em algum lugar frio.
"Eu tinha dezesseis anos", sussurrou. "Ele me levou para o estacionamento da igreja depois do ensaio do coral. Mostrou o distintivo e disse que tinha havido um acidente, que a mamãe precisava de mim no centro."