Teresa baixou o olhar.
Lúcia chorou em silêncio.
Dom Ricardo, sentado ao lado deles, não disse nada. Mas seu rosto dizia tudo: vergonha, cansaço e uma antiga tristeza.
Três dias depois, de volta ao nosso apartamento, Mateo ligou para a mãe usando o viva-voz.
“Preciso que você me ouça”, disse ela.
Teresa tentou se justificar. Disse que tinha se deixado levar. Que estava nervosa. Que eu tinha exagerado ao tornar tudo público.
Mateo a interrompeu.
“Não. Você roubou o vestido da minha esposa. Lucía escreveu um bilhete cruel. Vocês dois planejaram humilhá-la. Se Valeria decidir nunca te perdoar, eu respeitarei isso. E se algum dia tivermos filhos, eles só estarão perto de pessoas que sabem amar sem controlar.”
Houve silêncio.
Então Teresa chorou.
Dessa vez não parecia raiva.
Parecia uma derrota.
Um mês depois, ela pediu para me ver. Concordei em encontrá-la em um pequeno café em Coyoacán. Ela chegou sem joias, sem maquiagem impecável, sem aquele ar de rainha ofendida.
“Valéria”, disse ele, “devo-lhe um pedido de desculpas”.
"Sim."
“O que eu fiz foi cruel. Pensei que, se eu te magoasse, Mateo entenderia que você não era para ele.”
“E tudo o que ele entendeu foi quem você era.”
Teresa fechou os olhos.
"Eu sei."
“Valeu a pena?”
Ela balançou a cabeça enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.
"Não."
Eu não a abracei. Não fingi que estava tudo bem. Algumas feridas não cicatrizam só porque alguém chora.
“Aceito suas desculpas”, eu disse. “Mas não vou lhe dar minha confiança. Você terá que reconquistá-la com anos de respeito.”
Ela assentiu com a cabeça.
"Eu entendo."
“E Lucía também me deve um pedido de desculpas. Não uma mensagem. Não flores. Um pedido de desculpas de verdade.”
Ela teve que desistir.