Teresa olhou em volta e, pela primeira vez, entendeu que ninguém estava do seu lado. Nem seus amigos de Las Lomas. Nem seus primos. Nem seu marido.
Mas antes que Mateo pudesse dizer qualquer coisa, um garçom apareceu correndo da entrada com uma grande sacola plástica transparente.
“Senhorita Valeria”, disse ele, ofegante. “Acabaram de deixar isto na recepção. Disseram que era urgente.”
Meu vestido estava lá dentro.
Amassada. Manchada de maquiagem. Com um bilhete colado.
Camila arrancou o papel e leu em voz baixa.
"Para que você aprenda o seu lugar."
Não era a letra de Teresa.
Era a letra de outra pessoa.
E quando olhei para as mesas, vi a irmã de Mateo escondendo a mão debaixo da toalha de mesa.
Restava descobrir quem havia ajudado Teresa... e por que aquela traição doía tanto.
PARTE 3
A irmã de Mateo chamava-se Lucia.
Ela tinha vinte e sete anos, um sorriso inocente e um talento perfeito para parecer inocente. Desde o momento em que a conheci, ela sempre foi gentil comigo. Ela me mandava mensagens, perguntava sobre os preparativos e me dizia o quanto estava feliz por ter uma cunhada tão genuína.
Por isso, quando vi a mão dele se esconder debaixo da toalha de mesa, senti um tipo diferente de choque.
A crueldade de Teresa não me surpreendeu.
Sim, da Lucia.
Matthew também a viu.
“Lucía”, disse ele.
Ela ergueu o olhar, com os olhos cheios de pânico.
"Que?"
“Mostre-me suas mãos.”
“Matthew, não comece.”
“Mostre-os para mim.”
O jardim estava tão silencioso que se podia ouvir o zumbido das abelhas entre as flores. Lucía retirou as mãos lentamente. Em seus dedos havia uma pequena mancha de tinta preta. A mesma tinta do bilhete.
Teresa seguiu em frente.
“Deixem-na em paz. Ela não tem nada a ver com isso.”
Dom Ricardo soltou uma risada seca.
“Teresa, pelo amor de Deus. Já chega.”
Mateo olhou para sua irmã.