“Foi você quem escreveu o bilhete?”
Lúcia engoliu em seco.
“Eu não queria que chegasse a esse ponto.”
Senti o ar saindo do meu peito.
"Então você ajudou?"
Seus olhos se encheram de lágrimas, mas não eram lágrimas de arrependimento. Eram as lágrimas de alguém que havia sido descoberto.
“Mamãe disse que só queríamos te dar uma lição”, ela murmurou. “Que o vestido apareceria mais tarde. Que todos dariam uma risadinha e que seria só isso.”
Minha mãe se levantou de repente.
“Dar uma risadinha? De humilhar uma mulher no dia do seu casamento?”
Lúcia baixou a cabeça.
Então Teresa, encurralada, perdeu o último vestígio de elegância.
“Era necessário!” ela gritou. “Mateo não entende! Ela nunca pertencerá à nossa família! Olhem para ela! Olhem o que ela fez! Uma mulher decente teria mudado, ficado quieta, não teria feito isso como se fosse uma vulgaridade!”
Olhei para ela com calma.
“Uma mulher decente não rouba vestidos.”
A frase caiu como uma pedra.
Dom Ricardo se levantou.
“Teresa, você vai embora daqui.”
Ela se virou, incrédula.
“Você está me expulsando do casamento do meu filho?”
“Não”, respondeu ele. “Estou te tirando da confusão que você criou antes que você destrua ainda mais coisas.”
Mateo aproximou-se de mim. Ele pegou minha mão novamente.
“Não”, eu disse baixinho.
Todos olharam para mim.
“Não quero que ela vá embora.”